Receber a indicação para uma histerectomia (a cirurgia de retirada do útero) pode gerar muitas dúvidas e ansiedade. É completamente normal se perguntar: "Como eles vão tirar o órgão?", "Vou ficar com uma cicatriz grande?", "Quanto tempo dura?".
No curso Guia Completo da Histerectomia, acreditamos que o conhecimento é a chave para a tranquilidade. Este artigo foi criado para explicar, de forma simples e direta, o que acontece dentro da sala de cirurgia. Entender o processo ajuda a desmistificar o procedimento, permitindo que você chegue ao dia da sua cirurgia sentindo-se confiante e segura.
A "histerectomia" não é uma cirurgia única. Dependendo do seu diagnóstico (como miomas, endometriose grave, prolapso ou câncer), o médico decidirá qual extensão do sistema reprodutor precisa ser removida. É fundamental que você converse com seu ginecologista para saber qual tipo será o seu.
Os principais tipos são:
Histerectomia Total: É o tipo mais comum. Remove-se todo o útero e também o colo do útero (a parte inferior que se conecta à vagina).
Histerectomia Subtotal (ou Parcial): Remove-se apenas o corpo do útero (a parte superior). O colo do útero é preservado.
Histerectomia Radical: É uma cirurgia mais extensa, geralmente indicada apenas para casos de câncer ginecológico invasivo. Remove-se o útero, o colo do útero, a parte superior da vagina e os tecidos de suporte ao redor.
Importante: A retirada dos ovários (ooforectomia) e das trompas de Falópio (salpingectomia) não faz parte da histerectomia propriamente dita. Essa é uma decisão separada, baseada na sua idade, histórico familiar e motivo da cirurgia. Se os ovários forem preservados, você não entrará na menopausa imediatamente após a cirurgia.
O avanço da medicina permite que a histerectomia seja feita por diferentes caminhos ("vias de acesso"). A escolha da técnica depende do tamanho do seu útero, do motivo da cirurgia, se você já teve partos vaginais, de cirurgias abdominais prévias e da experiência do seu cirurgião.
1. Histerectomia Abdominal (Laparotômica ou "Cirurgia Aberta")
É a técnica tradicional. O médico faz um corte no abdômen, semelhante a uma cesárea (horizontal), ou, às vezes, um corte vertical.
Quando é indicada: Geralmente quando o útero está muito aumentado por miomas grandes, quando há câncer ou muitas aderências de cirurgias anteriores.
O que esperar: A cicatriz é visível, o tempo de hospitalização é um pouco maior (2 a 3 dias) e a recuperação total em casa é mais lenta (cerca de 4 a 6 semanas).
2. Histerectomia Vaginal
Nesta técnica, o útero é removido inteiramente através de uma incisão feita dentro da vagina. Não há cortes externos na barriga.
Quando é indicada: Frequentemente indicada para tratar prolapso uterino (quando o útero "cai") em úteros que não estão muito aumentados.
O que esperar: Não há cicatriz visível. É considerada a via preferencial por ser a menos invasiva, causar menos dor no pós-operatório e permitir uma recuperação mais rápida (2 a 3 semanas).
3. Histerectomia Laparoscópica (Videolaparoscopia)
É uma cirurgia minimamente invasiva. O médico faz 3 a 4 pequenas incisões no abdômen (cerca de 1 cm cada). Através de uma delas, insere uma câmera (laparoscópio) e, pelas outras, os instrumentos cirúrgicos para soltar o útero, que geralmente é retirado pela vagina.
Quando é indicada: Pode ser indicada para a maioria dos casos benignos e muitos casos malignos.
O que esperar: Cicatrizes mínimas. Resulta em menos dor, menor risco de sangramento e recuperação mais rápida do que a cirurgia aberta (3 a 4 semanas).
4. Histerectomia Robótica
É uma evolução da laparoscopia. O médico opera sentado em um console na sala de cirurgia, controlando braços robóticos de alta precisão que seguram os instrumentos e uma câmera 3D de alta definição dentro do abdômen da paciente.
Quando é indicada: Semelhante à laparoscopia, mas especialmente útil em casos mais complexos ou que exigem dissecção delicada.
O que esperar: Semelhante à laparoscopia: minimamente invasiva, com cicatrizes pequenas, menos dor e recuperação acelerada.
Embora cada hospital e equipe tenham seus protocolos, aqui está um roteiro geral do que você pode esperar no grande dia:
1. Preparação Pré-Operatória
No hospital, você será acolhida pela equipe de enfermagem. Você trocará de roupa, receberá uma pulseira de identificação e será encaminhada para a área de preparo. Lá, você conversará novamente com o cirurgião e com o anestesista. Uma veia será puncionada para receber medicações e soro.
2. A Anestesia
Para uma histerectomia, utiliza-se anestesia geral (você dorme completamente e é intubada) ou, em alguns casos de cirurgia vaginal ou abdominal aberta, anestesia regional (raquianestesia ou peridural) associada a uma sedação profunda (você dorme e não sente dor da cintura para baixo). O anestesista monitorará seus sinais vitais durante todo o tempo.
3. O Procedimento Cirúrgico
Já na sala de cirurgia e sob anestesia, a equipe realizará a limpeza da pele (assepsia) e colocará os campos cirúrgicos estéreis. O cirurgião então fará a incisão (conforme a via escolhida) e iniciará o processo de soltar o útero das estruturas adjacentes (ligamentos, vasos sanguíneos, trompas, etc.), garantindo que não haja sangramento excessivo. Uma vez solto, o útero é removido.
4. Finalização e Fechamento
Após a retirada do órgão, o médico revisa toda a cavidade pélvica para garantir que não haja sangramento. Se for uma laparoscopia ou robótica, o gás usado para inflar a barriga é removido. As incisões são fechadas com pontos (que podem ser absorvíveis ou precisar de remoção posterior) ou grampos, e um curativo é aplicado.
5. Sala de Recuperação (SRPA)
Você será levada para a Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA), onde acordará da anestesia. Você será monitorada de perto pela equipe de enfermagem enquanto a anestesia passa totalmente. É normal sentir um pouco de sonolência, náusea ou desconforto nesta fase. Medicações para dor serão administradas conforme necessário.
Entender como é feita a histerectomia é o primeiro passo para uma jornada cirúrgica mais tranquila. Lembre-se de que a medicina avançou muito e, hoje, existem técnicas minimamente invasivas que priorizam o seu conforto e uma recuperação rápida.
Sua Próxima Etapa: Continue sua preparação assistindo às aulas do nosso curso Guia Completo da Histerectomia. Lá, abordamos com mais detalhes o pré-operatório, os cuidados específicos em casa, a retomada da vida sexual e tudo o que você precisa saber para viver essa nova fase com saúde e bem-estar.